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NOVOS TEMPOS, UMA NOVA FORMA DE PENSAR O CONSUMO

ENTENDA E CONHEÇA A ECONOMIA SOLIDÁRIA, UMA ALTERNATIVA PARA O CONSUMO CONSCIENTE E AFETIVO

O

modelo de consumo nas sociedades capitalistas tem como principal objetivo o lucro. Sendo assim, os objetos de consumo são pensados de modo que sejam pouco duráveis, e o marketing, a propaganda e diversos meios de comunicação se preocupam em vender aos indivíduos uma falsa necessidade, para que consumam cada vez mais e com mais frequência. Os produtos mudam um pouco, as vezes quase imperceptível se não fosse a forte propaganda voltada para tal mudança, e isso já é o suficiente para que os produtos anteriores se tornem obsoletos.

 

Nesse constante fluxo de novidades, vamos vivendo a nossa vida de maneira acrítica do que de fato consumimos. Parecemos não nos importar com o que compramos e descartamos. O mundo obsoleto tornou-se regra. Para ser, é preciso ter. A partir daí, entramos em um círculo vicioso onde esquecemos as relações humanas por trás do consumo e quem sempre sai ganhando é o capital.

Indo contra a corrente, surge uma alternativa que pretende pensar as formas de consumo de um jeito diferente. Pensando nas pessoas e para as pessoas. Essa nova forma é a Economia Solidária, um novo jeito de organizar a produção. Ela é baseada na autogestão, onde a cooperação e a democracia são princípios importantes. Não existem patrões nem empregados, pois todos são partes integrantes de um mesmo empreendimento. Por essa forma de organização, esse novo modelo de empreender é o oposto da lógica capitalista, onde há hierarquias.

A Economia Solidária também oferece para as pessoas uma nova forma de consumir e de pensar sua presença no mundo através da consciência dos processos que atravessam a produção e o consumo. O consumidor, por estar espacialmente perto daquilo que é produzido, influencia no encurtamento das distâncias. Com isso, preserva-se energia, combustível e evita a poluição, consequência de produções feitas a distância.

Há o incentivo para consumir produtos locais, de origem orgânica e que tenham pouco impacto ambiental, evitando assim a compra de produtos de grandes empresas. Além disso, esse tipo de ação proporciona a aproximação entre consumidor e produtor. Isso auxilia o consumo consciente, uma vez que tanto produtor quanto consumidor terão mais informações sobre o produto que querem vender e adquirir. É uma troca que deixa de ser simplesmente monetária para ser também afetiva e mais consciente.

Distanciando-se de uma lógica competitiva, a Economia Solidária oferece uma nova forma de organização: a cooperação coletiva. Um mercado baseado na cooperação e não na competição. Uma nova forma de pensar a sociedade, o consumo e as relações pessoais. A economia solidária no Brasil, é uma forma de diminuir a desigualdade de ganhos, a partir das associações padronizadas. O Secretário Nacional de Economia Solidária durante o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), Paul Singer, foi o economista, escritor e professor  austríaco-brasileiro pioneiro em uma política nacional voltada para a Economia Solidária.

Para conhecer um pouco mais dessa prática, conversamos com o Iago Marinho, dono do Quinquilharia e com a Patrícia Ferreira, dona do Brechózaria. Eles atuam numa lógica mais humanizada e cooperativa de vendas de produtos e explicam a importância de novas práticas conscientes para a sociedade.

Brechózaria

Brechózaria

Patrícia Ferreira é figurinista e dona do brechó "Brechózaria". Começou como uma loja online, mas hoje possui um espaço físico onde recebe as pessoas interessadas nos produtos. Tudo organizado por ela com muita dedicação.

Não jogue no lixo o que você pode doar

Ao invés de jogar roupas, livros, móveis, brinquedos e outras coisas que não tenham mais utilidade para você, doe para entidades beneficentes, brechós, sebos ou para alguém que poderia usá-las.

Patrícia conta que o Brechózaria começou há quatro anos atrás,  com o desejo de mudar de estilo e se desfazer de algumas roupas que ela tinha comprado e nunca havia usado. Em seguida, começou a postar fotos das peças nas redes sociais com o intuito de vender e repassar a roupa para alguém que se interessasse. Funcionava da seguinte forma: ela postava a foto da peça com o valor e a numeração, a pessoa interessada entrava em contato, os dois combinavam um ponto de encontro viável e ela ia entregar. Ela afirma que o único problema até então, era a entrega. Várias vezes, o cliente não aparecia e ela dava viagem perdida.

Foi só quando ela conseguiu se mudar para uma casa maior que veio a ideia de montar um espaço físico, mas sem perder a facilidade de vender proporcionada pelas redes sociais. “Tivemos a ideia de se tornar algo físico, mas não como loja e sim como ponto pras pessoas virem pegar o que compram pela internet, principalmente no Instagram.”

Patrícia afirma que o brechó tem uma prática sustentável por vender coisas que já existem. A maioria das pessoas que compram em brechó não têm consciência do bem que elas estão fazendo para o mundo. E considerando que a indústria têxtil é a mais poluente no mundo, essa prática é muito útil.

Ao comprar um peça que já existe, o cliente deixa de dar lucro ao modelo econômico que incentiva a competição e a desigualdade, colabora com a redução da poluição, com a diminuição de pessoas em situação de trabalho escravo e reduz o descarte desnecessário e indevido. Patrícia ressalta, “o brechó tem uma importância na conscientização das pessoas, muitos acham que brechó só vende aquilo que não serve mais, e não é”.

Troque ao invés de comprar

Feiras de trocas são bons espaços para desentulhar objetos que estão em casa, e de quebra, você ainda pode achar algo que esteja precisando.

Consumo sustentável é justamente as práticas que visam diminuir os impactos ao meio ambiente. Comprar roupas usadas para manter a rotatividade da peça, transformá-las, doá-las é uma forma de consumir conscientemente pensando no antes, durante e depois, sempre evitando o desperdício.

Quinquilharia

Quinquilharia

Reutilize produtos e embalagens

Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

Já com o Iago, a ideia surgiu como terapia, uma forma proveitosa de usar o tempo ocioso. Biscuit, disquetes, fitas VHS, todos objetos que iriam para o lixo devido ao avanço tecnológico, mas acabaram virando itens da produção artesanal para o Quinquilharia, nome do loja virtual do Iago. O nome da loja, inclusive, faz referência a esses objetos considerados velhos por parte da sociedade, mas que se transformam em arte nas mãos de Iago.

Iago Marinho é dono do Quinquilharia há 1 ano e 5 meses. Ele produz cadernos, canetas, chaveiros e imãs com temas variados. A produção é artesanal e consciente. Sempre se preocupa com a interatividade com o público.

Valorize os produtores locais

Incentive o desenvolvimento da economia local, conheça melhor o produtor e entenda de onde vêm os produtos que consome. Assim, você também contribui com a diminuição de emissões de gás carbônico das longas viagens que os produtos fazem para chegar até nós.

A loja começou no Instagram há um ano e cinco meses. Iago conta que a primeira vez que teve contato físico com o público foi no evento que reúne estudantes produtores, chamado Feira no Pátio, da Universidade Federal do Cariri (UFCA) onde cursa Biblioteconomia. A partir de então, as feiras de produtores locais se tornaram pontos de vendas.

Iago afirma que a maioria das produções são artesanais e manuais. As sobras de papel, ele conta que leva para reciclagem, e tenta fazer o mesmo com todos os itens que utiliza. Iago também alerta para o descarte consciente dos materiais, “sempre coloco etiquetas informando qual o tipo de material estou descartando, para evitar acidentes”.

Para Iago, uma das coisas mais importantes do seu negócio é a troca afetiva que tem com o seu público. Sempre interagindo com eles pelo Instagram, Iago procura estabelecer um contato mais próximo com eles. As feiras que participa promovem esse encontro entre o próprio produtor e o comprador. Assim, Iago consegue detalhar todos os passos da produção para quem se interessar.

Iago participa atualmente da Feira Cariri Criativo, projeto em parceria com a UFCA. A Feira reúne vários produtores em um ambiente divertido e de união. As pessoas tem contato com diferentes produtores e estreitam os laços para além da compra e venda.

 

A economia solidária proporciona esse espaço híbrido onde as relações pessoais afetivas importam mais que o lucro. Normalmente, esses ambientes oferecem mais do que um espaço para produtores. São locais onde a arte se faz presente. Músicos, poetas, artistas, todos eles colaboram para a criação de um local mais unido, cooperativo e respeitoso.

A economia solidária surge para ajudar a sociedade a pensar suas maneiras de consumir. Pensar no futuro estando no presente. Buscar opções menos danosas para a natureza e apreciar os trabalhos manuais de produtores locais, apoiando e comprando seus produtos, são alguns passos para fugir do capitalismo predatório e dar mais atenção às pessoas que realmente importam.

 

Ter um pensamento consciente do que consumimos e produzimos também é uma forma de resistência. Mostrando para mais pessoas que é possível viver de uma forma harmoniosa com a natureza e com as pessoas. Forçamos as grandes empresas e empresários a reconhecerem esses novos processos de desenvolvimento solidário e coletivo.

Equipe

Gabriela Gonçalves

Romênia Gomes

Thamyres de Souza

Suporte técnico

 Hanna Menezes

 

Reportagem multimídia apresentada na disciplina de Laboratório de Jornalismo Digital  | 6º semestre | 2018

 

Professores Orientadores

Diógenes Luna

Ivan Satuf

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